
“JARDIM” IN MEMORIAM
Porque eu quis virar flor
Do lodo quando senti
O espinho que me feriu
No cacto que me doei
Narciso onde estivesse
Jacinto me entristeceria
Mimosa ou bem me quer
Nenúfar serei um dia
Petúnia a despetalar
A beleza da açucena
Um cravo ama e desdenha
Papoula que sonha em mim
Crisântemo em sua verdade
Traz a gérbera de volta
Inspirando a bela dona
Bonina e bogarim
Enfim, quiz sim ser a rosa
Gardênia, ciclame ou dália
Anêmona ou azaléa
Perfume, cor ou espinho
Guardava aqui dentro do peito
O gerânio, a alfazema
E a íris que esparramava
Entre lírios e violetas.
Mas veio a tempestade
De medo e inverdades
De dores e desafios
Levando em suas águas
A vida que ali brotava
Nas flores do meu jardim.
LÍGIA SAAVEDRA
Imagem:
www.mundodeflores.com
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