Ajuruteua

Ajuruteua

quarta-feira, 31 de março de 2010

O HOMEM E O TEMPO





Somo watts e passei dos duzentos e vinte, raios já não mais me atingem. Destruo-os.
Minhas antenas captam apenas boas energias enquanto a eletricidade acumulada em meus cabelos brancos me protege do mau tempo e das tempestades.
Mas, não se engane com a calmaria, posso ser tornado ou furacão em torno de uma brisa ou ventania, se quem amo corre perigo.

Como um traço de luz que risca o céu emano faíscas de carinho, amor e proteção acendendo as noites e a vida.

"Sou como a lua que brilha sem brilho ter
como o sol que não só brilha como aquece
como sua luz que entra, clareia e enternece
Como o homem que compreende para viver"

"Venho das nuvens em forma de chuva
ou dos raios em forma de amor
sou o tempo em forma de homem
sou o homem em tempo de poetar"


LÍGIA SAAVEDRA

terça-feira, 30 de março de 2010

LÁGRIMAS DE SAUDADE EM "CRISTAIS DE POESIA'

Quando perdi meu filho, em janeiro do ano passado, já tinha o compromisso de gravar um CD, agora pronto chamado "Além dos Muros".
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.Após seu falecimento as pouquissimas palavras que consegui escrever falam de dor e de saudade com muito ressentimento e tristeza, mas em "Cristais de Saudade" acendo a esperança do reencontro e relembro aquele lindo sorriso que tantas vezes me fez feliz."Cristais de Saudade", agora uma linda música composta em parceria com Pedrinho Cavallero, está no Cd "Além dos Muros", eternizando o meu sentimento e a necessidade que sinto em gritar para o mundo: "Filho, jamais te esquecerei!".
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.Hoje, dia em que ele faria aniversário, deixo aqui esta homenagem com o coração apertado por uma saudade que será minha eterna companheira.


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CRISTAIS DE SAUDADE.
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De nós nada se perdeu
pois transformei tua ausencia em melodia
e as horas passam.
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Mas se a dor se espalha
raspo um tacho de saudade
quando o pranto se transforma
em cristais de poesiae os dias passam..
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.Perpetuo meu amor cristalizado
nas gotas da esperança
de um dia te encontrar
e abrando o tempo
com a lembrança
de teu sorriso
iluminado.
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.LÍGIA SAAVEDRA
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24 HORAS DE TEATRO EM BELÉM. OBA!


A Federação de Artes Cênicos Estadual existe no Estado do Pará há 18 anos realizando diversos projetos no nosso estado como a campanha "Vá o Teatro", o Festival Estadual de Teatro, Jornal da Faces, seminário anual, Coletânea de textos paraense e várias oficinas.
As apresentações serão realizadas à partir das 10h do sábado 17 de abril e até às 10h de domingo 18 de abril, sem interrupção com apresentações de diversos grupos da capital e de outros municípios revezando-se no palco na encenação de seus espetáculos. Ao todo serão 26 espetáculos, sendo que 10 da capital e 16 de outros municípios
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Os espetáculos variam nos mais diversos gêneros e temáticas como: Teatro Infantil, Teatro Infanto-juvenil, Teatro Adulto e Teatro Épico com textos que abordam a responsabilidade social, questões como: saúde (AIDS), meio ambiente, preconceito racial e questões sobre os índios de nossa região.
Ao todo serão 26 espetáculos, sendo que 10 da capital e 16 de outros municípios
O evento conta como apoio das prefeituras dos municípios que participarão com as suas montagens e com o patrocínio da SECULT, FUMBEL, CURRO VELHO, YAMADA, CENTUR, Tereza Coimbra, Fernando Coimbra, Henrique Andrade e Raul Meireles.
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A ENTRADA é FRANCA. vamos prestigiar!

domingo, 28 de março de 2010

PENSAMENTO FÁLICO

Falo de fadas

falo de sonhos

falo de poesia

falo de amor.



Falo de arrepio

falo de beijo

falo de sexo

falo de cio.



Falo de sabor

falo de solidão

falo de dor

falo de pecado.



Falo de mim.





LÍGIA SAAVEDRA





sábado, 27 de março de 2010

CENE-"O GRITO POÉTICO"



Foi realmente um sucesso a festa promovida neste sábado pelos professores e alunos do CENE-Cooperativa Educacional Nossa Escola, sob a Direção da Prof. Salete Rodrigues e a Coordenação da Prof. Neuza Lima.
"O Grito Poético" deste ano teve o tema "Uma leitura da Cultura Paraense", incentivando os seus alunos a pesquisar e apresentar peças teatrais, danças, contos, narrativas, desenhos e poesias sob o mesmo.
Como convidados Alcyr Guimarães e eu, mostramos um pouco da nossa música e poesia para um público atento e bastante receptivo de alunos, pais e professores da Escola que ensina do Maternal ao Convênio.
A apresentação de danças típicas e um concurso de desenho e de poesias enfeitaram e alegraram ainda mais o evento, além de um grupo de jovens músicos, alunos da própria escola que liderados por Yan, fizeram um show ao vivo sendo muito aplaudidos.
Parabenizo a todos que organizaram o evento e agradeço a oportunidade de mais uma vez poder contribuir com a divulgação da nossa Cultura Paraense.


LÍGIA SAAVEDRA

sexta-feira, 26 de março de 2010

JOELMA KLAUDIA




Uma mulher deslumbrante que canta maravilhosamente bem, assim é Joelma Klaudia.

Vc não precisará procurar muito pois a encontrará cantando quase todos os dias em algum lugar e quer saber o motivo?
É que ela sabe o que faz e sempre o faz muito bem.


Aplausos para esta grande cantora.



POEMAS À FLOR DA PELE


Sou da "Poemas à Flor da Pele" e isso muito me honra, criada por Soninha Porto, poetisa dos Pampas que diz:

"Poemas à Flor da Pele" é o encontro de poetas e artistas que há quase 4 anos fortalecem laços de amizade, criam e trocam artes e versos que viajam pelas veias de um computador, amenizando dores, alimentando vidas.

E no Dia da Mulher também nos fez esta homenagem:

Hoje entre meus afazeres, observo o dia de chuva fina a cair sobre os telhados e de repente, num passe de mágica, um calor escaldante, que faz brotar o suor em meu rosto, um dia confuso!

Ligo o computador, é o dia da mulher, o meu dia e de todas as mulheres, as que conheço e outras só pela telinha do pc, sinto que é necessário homenagear essas mulheres. Olho pela minha janela, busco inspiração, ouço sons de buzina e sinto que o dia está mesmo com cara de segunda-feira, mas tenho que transformá-lo, fazer com que seja um dia importante, já que ele é tão reverenciado...

O que fazer para essas maravilhosas mulheres, que me acompanham há mais de 4 anos, na Poemas à Flor da Pele? Basilina, Dora, Sirlei, Marcinha, Sandra e Goreti, mulheres que há muito tempo trocamos idéias, fazemos e acontecemos em eventos culturais e fortalecemos uma linda amizade.A Comunidade que tá virando Associação Cultural, dá mais um passo nessa escalada vertiginosa, que só é possível porque essas mulheres acreditam no que acredito e me apóiam e me seguem e eu as apóio e as sigo também. Não posso deixar de dizer que os homens também.

É a Ana, a Telma, a Lena, a Rose, a Rosa, a Sandra, a Enise, a Leinecy, as Carmens, a Denise, a Fátima, as Claus, as Glórias, a Nádia, a Mary, a Lydiah, a Ligia, as Juçaras, a Cida, a Marineves, a B@by, a Zia, a Angela, a Roseane, a Gilda, a Luciana, a Andrea, as Soninhas, a Sara, a Arlete, a Uil, tantos e tantos nomes que são significativos em minha vida.

Recorro a comunidade de Lenise, moderadora de tempos da Poemas e que faz um trabalho de pesquisa de imagens inigualável, tudo ali é lindo e perfeito, por sinal usei as suas dicas para lhe homenagear pelo seu aniversário, agora dia 6 de março, não é brincadeira não, é verdade, depois da comunidade da Lenise, nada do que se faça tem graça. E lá na sua página encontrei o que precisava: uma moldura colorida, psicodélica até, para enfeitar os rostos que estão em meus arquivos, selecionei aqueles que estão mais presentes, rostos que fazem parte da minha vida, do meu dia-a-dia, tão conhecidos, tão íntimos, tão amigos!
E passei horas e horas buscando, selecionando, tentando imprimir a eles meu sentimento de gratidão, de amizade, como se a dizer a essas maravilhosas mulheres que as amo, que seus rostos me encantam e me inspiram, porque circulam pela página da Poemas, onde escrevem poesias lindas, fazem artes digitais e formatações e deixam suas palavras e, principalmente: seus rostos que emocionam, não só a mim, mas a todos que passam por aqui.Cada vez que os vejo alegres, com histórias lindas de amor, de felicidade, de luta, do viver bem, ou tristes, por doenças, fobias e perdas, e penso o quão pouco faço para retribuir-lhes a atenção e o cuidado para comigo.

O telefone toca, Chico, meu filho, interrompe meus pensamentos e o meu prazeiroso trabalho, chamando para almoçar. Fomos no bar do Alfredo, ali na esquina de casa, onde tem uma comidinha caseira bem boa. Ao sair, uns pingos de chuva começam a cair, eu e o Shin corremos com medo de a chuva aumentar, ao entrar no bar a dona logo dispara, como se não pudesse deixar de dizer: Feliz dia da Mulher! Comi rapidamente, o trabalho me esperava, meus rostos me esperavam. Será que eles irão sentir todo o carinho que tenho por eles, só com essa pequena homenagem? Será que eles sabem o quanto são importantes para mim? E se esqueci de alguém?
Assim nessa luta interior terminei o último quadro, fui do Sul ao Norte e até Portugal, tentei fazer o melhor. Ai, se não gostaram tenham piedade de quem vive só de rostos.


http://poemasaflordapele.ning.com/

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Jbconrado, meu companheiro de Overmundo, é Arte Educador, pós-graduado em Arteterapia, Artista Plástico e Gráfico... Escreve quando o Universo requisita e o Coração ameaça sair do peito.



INIMIGO SOMBRIO.


Sutil escorpião prepara para atacar.


Ritualiza sua dança da morte.


Libertino extasia de tanto prazer.


Mira sua vítima com arrogância.


Levanta sua cauda. Invoca seu exército.


Embevecido dispara seu veneno letal.


Escuridão absoluta...


Sem saber como, seu corpo estatela no chão.


Suas forças se esvaem.


E só então descobre o drástico engano.


Na sua raiva cega. Mirou a si mesmo.


E... Tarde demais.


Percebeu que seu inimigo sombrio.


Não era o outro.


Era ele mesmo.





E quem é Jb Conrado?

JB Conrado por ele mesmo.



.Nasci na roça...

Ser-tão mineiro.Filho de "Sô Liveira e Dona Zilica”Córrego do Espraiado.

Manhumirim. Minas GeraisCaipira de corpo e alma.

Caipira, caboclo por inteiro.

Preparei a terra. Semeei, plantei e colhi.

Criei gado, meu boi "rajado".

Carro de boi que chora no fundo do grotão.

Tive uma longa vivência, com a natureza e seus encantos.

Vim para a cidade grande.

Floresta de concreto armado.

Comecei a estudar e trabalhar.

Sempre procurando uma direção, um caminho de vida.

Sempre gostei de pesquisar, experimentar opções inusitadas.

Conhecer amplamente os materiais expressivos.

Descobrir minhas próprias técnicas.

Desafiar o desconhecido.

Romper com a mesmice do caminho fácil, o vírus do modismo.

Superar a cegueira do nosso mundinho trivial.

Ignóbil. Incomodar o banquete das ratazanas.

A comilança dos opulentos.

Mostrar o que a sociedade se nega a ver; entre tantas coisitas a mais.

Tudo isto sempre fez parte de minha história pessoal.
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.websitehttp://www.overmundo.com.br/perfis/www.ayruman.com.br

GIGI FURTADO E OS CAVALEIROS DE JORGE






















Gigi Furtado, uma das melhores cantoras jovens do nosso rico cenário musical paraense na atualidade, me mandou este recado e assino em baixo porque Gigi e seus Cavaleiros de Jorge merecem todo o aplauso que pudermos dar.




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"Queriiiiiido(a), hoje à partir de 20:30 no Píer das 11 janelas (próximo à Catedral da Sé) em um palco montado ao ar livre, acontecerá o show "Na veia da nêga" e eu ficarei imensamente com a sua presença.

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Será um show cheinho de swingue, portanto use sapatos confortáveis =)

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Uma super beijoca Até lá!!!"



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Vamos lá!









EDINIRA CAMARÃO, A POETISA DAS LENDAS AMAZÔNICAS


Conheci Edinira Camarão, Assistente Social, funcionária Pública e poetisa, há tempos através dos "Amigos do Poeta Camarada", um clube do qual faço parte com muito orgulho fundado na casa de Mariazinha Gonçalves, também poetisa, com o intuito de homenagear Vinícius de Moraes, e a partir daí estreitamos os laços de amizade e de poetagem.
Me encantei de prima com seu estilo próprio e deveras parauara de fazer poesia já que seus temas quase sempre falam de nossa terra, nossa gente, nossas florestas, nossas lendas e nossas águas.
Confira e comente!

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MATINTA PEREIRA (Nira - Marajoara - Boavistense)
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Sentimento breve
Sobrevôo leve
Sobressalto teve
O susto conteve
O grito reteve
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Disconjuro
Credo em cruz
Ave Maria
Vem de noite
Vai de dia
Buscar uma cortesia
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Um fumo. Será que devo?
Um poema. Eu te escrevo?
Café? Na mesa te sirvo.
Se quiseres, cerveja e queijo.
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Mas... Vem.
Vem...Que te quero zolhar.
Vem...Que te quero assuntar.
Vem...Que te quero criditar.
Mulher voadora
Ave encantadora.


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A PRESA (Nira - Marajoara - Boavistense)
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De repente chegastes
Braços de remador
Por onde remastes?
Pescador de mim.
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Aqui me deixastes
Sem barco e sem lar
Sem rio e sem mar.
Sem céu nem estrelas.
Sem lua e luar.
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Sem hora, sem tempo.
Me chegas assim.
Com cheiro de mato
De relva, capim.
Por onde andastes?
Caçador de mim.
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O que importa agora
É teu cheiro de ilha
Teu peito de quilha
Chama no olhar, lábios a queimar.
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Só sei que chegastes
Sem hora, sem tempo
Com o marulho do mar
Com a luz do luar
Deixando prá traz o tempo ruim
Fazendo de mim
A presa de ti.
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QUEBRANTO (Nira - Marajoara- Boavistense)
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Ainda sinto o visgo de teus olhos nos meus
Quase cerrados, hipnóticos, feiticeiros
Tua tez morena e o sorriso matreiro
Envolventes me atrem aos braços teus.
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Meu virgem corpo inocente treme
Nos teus, meus olhos criam cravos
De ti, meus sentidos são escravos
Passas a ser agora, o meu leme.
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Não tem antídoto, alquimia ou bruxaria
Que desfaça este quebranto
Colar meu corpo no teu
É tudo o que eu quero tanto.
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quinta-feira, 25 de março de 2010

Azuir Filho, um paraense de coração


"Louvor ao Humano que Deus Pai criou copiando do Divino. Quando a coisa é ruim a gente diz que é desumano. Humano é o Bom, é Cópia do Divino que é o máximo. Temos de agradecer de joelhos, por Deus nos ter feito assim. Temos de caprichar e honrar porque passa rápido e quem bobear não vê."

Palavras de Azuir Filho, poeta que vive em Campinas-SP, mas que já viveu por estas bandas e nunca esquece o Pará principalmente Mosqueiro.
Mestre em homenagens é meu companheiro de Overmundo e aqui posto uma de suas poesias onde ele lembra o que nosso mundo mais necessita neste momento.



A VIDA É PROVA DE HUMANIDADE

A Vida tem o seu sentido, é profunda na sua razão.
É um momento querido, todo cheio de significação.
O mais renhido lutar, pra não se perder a dignidade.
Pra Amar e caprichar, a vida é prova de humanidade.

Passagem de simbolismo, o tempo todo de decisão.
Lição do Cristianismo, no tanto que tem pra perdão.
Vida agitada e nos testar, no negar a desumanidade.
Pra Amar e caprichar, a vida é prova de humanidade.

Pra mostrar ter boa vontade, e pelo próximo amor.
Honrando a Comunidade, e o trabalho do trabalhador.
Não se pode furo deixar, esta em jogo a eternidade.
Pra Amar e caprichar, a vida é prova de humanidade.

Mostra a alma da gente, mostra a cabeça e o coração.
Se é covarde ou um valente, se é bom amigo e irmão.
A Vida é pra partilhar, comungando em irmandade.
Pra Amar e caprichar, a vida é prova de humanidade.

É mostra do compromisso, se imundo ou é decente.
Não ser ignóbil e omisso, nem acovardado e ausente.
Ser capaz da cara mostrar, e ta fora de indignidade.
Pra Amar e caprichar, a vida é prova de humanidade.

Lutar em todos momentos, pra todo mal retroceder.
Ativo a todo tempo, pra vontade de Deus se fazer.
Cada irmão é pra perdoar, superando suas maldades.
Pra Amar e caprichar, a vida é prova de humanidade.

É jamais perder a atenção, e vigiar a todo o tempo.
Intensificar a comunhão, superar todo contratempo.
No Pensar, falar e obrar, e todas nossas atividades.
Pra Amar e caprichar, a vida é prova de humanidade.

Não pode perder o tino, não pode causar decepção.
Humano é cópia do Divino, humano é ser irmão.
Estão do alto a nos olhar, é só honrar a irmandade.
Pra Amar e caprichar, a vida é prova de humanidade.

Um comungar que comove, é viver santo ideário.
Cada um dá o que pode, e recebe todo o necessário.
Faz o mundo melhorar, e a vida ter sua finalidade.
Pra Amar e caprichar, a vida é prova de humanidade.

Não pode trocar pé por mão, nem a ordem natural.
O Humano que é a razão, e também o sublime ideal.
É com Deus o nosso honrar, e ser capaz da igualdade.
Pra Amar e caprichar, a vida é prova de humanidade.

A vida é uma luz que brilha, uma chama no coração.
É para viver em família. em irmandade e cooperação.
É a convicção do irmanar, é compaixão e identidade.
Pra Amar e caprichar, a vida é prova de humanidade.

Azuir Filho e Turmas: Do Social da Unicamp e, de Amigos, de: Rocha Miranda, Rio, RJ e, de Mosqueiro,

quarta-feira, 24 de março de 2010

O DIGNO E O HONRADO




Em homenagem aos raros e nobres humanos que ainda merecem estes dois adjetivos nos dias de hoje.



O DIGNO E O HONRADO

A vivenda dos Guedes à beira do Rio Maratauíra, afluente do Tocantins no nordeste do Pará, era o ponto de encontro dos ribeirinhos. Por possuir o maior atracadouro da região e também servir como entreposto comercial no cais, com exceção aos domingos, o vende e troca de mercadorias era intenso bem lembrando o Ver-o-Peso, a maior feira de Belém.
De longe se avistava a casa grande com seu telhado antigo, paredes azuis, um terreiro limpo e árvores muitas dando um ar pitoresco ao lugar.

João Guedes, o português sisudo, azeitoneiro do sul de Portugal que no final do século XIX viera tentar a sorte por aqui junto com outros patrícios, desembarca em Belém, mas prefere subir o rio seguindo o conselho de um padre capucho, Pe Alfredo, que conhecera na longa viagem de navio.
Em Abaeté, hoje Abaetetuba município ribeirinho, distante uns 80 km da capital, o português decidiu investir seu dinheiro e seu suor. E deu certo, com alguns poucos anos de dedicação e muita mão de obra conseguiu comprar um engenho de cana-de-açúcar aonde além de beneficiar a cana ainda fabricava seus derivados como a cachaça, o açúcar, a rapadura e o mel.

Na casa grande Dona Ana, a portuguesa que acompanhara o marido na bem sucedida aventura, administrava o dia a dia de uma dezena de empregados e dos filhos Boanerges e Pedro que estudavam em Belém, só vindo aos finais de semana para a vivenda e de Clara, a caçula que aos dezesseis anos passava os dias aprendendo a costurar, bordar e cozinhar para se tornar uma boa esposa só indo ao terreiro e ao cais aos domingos quando estivesse vazio, afinal era uma moça de família.

Numa tarde de junho quando o céu e o rio coravam diante de um magnífico por de sol, Clara e sua dama de companhia corriam pelo terreiro alegremente até que no cais, Clara sentou-se e pôs-se a admirar o infinito. Seu olhar parecia esperar a lua já que o sol se despedia.
“Boa tarde, senhorita”
Era Jerônimo, um caboclo forte de pele queimada, filho da terra que plantava e vendia cana-de-açúcar para os engenhos. Ouvira falar da beleza de Clara, a jovem da vivenda dos Guedes e planejara uma estratégica abordagem para conhecê-la.
“Que queres aqui?”
Grita Boanerges já de rifle na mão. A gritaria já atraíra a todos para o terreiro. Calmamente virando-se para João Guedes, Jerônimo, responde num tom de voz que pôde ser ouvido por todos os presentes:
”Vim pedir a mão de sua filha em casamento”. A audácia do caboclo pegara o português de surpresa que de chofre replicou: ”Será sua se daqui a doze meses tiveres um engenho e um palácio para minha filha” E, virando-lhe as costas entrou na vivenda dando por encerrada a conversa.

Nem mesmo João Guedes acreditara no que dissera; “Mas quando? Aquele borra botas jamais conseguiria em um ano o que ele em meia vida acumulara e nunca mais tocariam no assunto"
Enganara-se o português. Na primeira semana de junho do ano seguinte Jerônimo, acompanhado do pai, muito ansioso e feliz lhe trouxe alguns documentos comprovando a compra do engenho Rio Grande, o maior da Região e da casa mais bonita da cidade, consolidando assim o noivado.

Clara e Jerônimo se casaram na Igreja Matriz em dezembro de 1900 numa linda cerimônia celebrada por Pe Alfredo e toda a cidade de Abaeté esteve presente.
Foram muito felizes, tiveram doze filhos e até hoje, por lá, se comenta a história da dignidade de Jerônimo que trabalhou duro para poder casar com a jovem Clara em um tempo tão curto e da honradez de João Guedes que para manter sua palavra abriu mão de seu bem mais precioso, a filha.

Dignidade e honradez duas qualidadeS que talvez nem mais existam neste mundo.

LÍGIA SAAVEDRA


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JAAK BOSMANS




"JAAK BOSMANS, poeta mineiro dos bons que quando romantico fala de sonhos e nos encanta em versos"

AS FLORES DE PLÁSTICO NÃO MORREM





"Escrita num momento especial no ano de 2007 esta poesia fala de devaneios, tristeza, alegria e esperança. Sensações e sentimentos de nosso cotidiano"



AS FLORES DE PLÁSTICO NÃO MORREM


Nas Trevas

Saiba você que para muitos ainda não existo, apenas resisto.
Sou um pensamento à sombra das diversas realidades.
Nunca concordei com a maioria
não torço pelo Flamengo e
só passei fome para fazer parte das estatísticas

Condenando à falsos viandantes
que a Hitler sim aplaudiriam
se ele holocausteasse a chaga social
tiro a máscara da hipocrisia poética
rebelando-me quando um texto muda minha prosa
e um filho me transforma a vida,
mas se morro para te agradar a quem desagrado?

Nua e sem defesa, abro a guarda para que luzes me cheguem
sejam elas de vácuo ou de átomos.
É luz.
E... Trocando de bem com Deus
o medo da reprimenda desaparece com a claridão.
Só isso é real.
Mas, e as flores?

Na Luz

Flores hão de beijar nossas vidas como Pedro
pois quando o nascer do sol suas pétalas abrir e o galo cantar
beija-flores brotarão a nossos pés
criando assim um limbo-azul.
O róseo-celeste desaparecerá
dando lugar a um marinho-estrelado.
Os amantes se beijarão como nunca
no verde-capim dos jardins
espalhando sêmen e povoando as cidades.
Então, grávidas de árvores brancas
as mulheres irão banhar-se no mar
rodeadas de cavalos-marinhos
que as levarão a sonhar
dentro de enormes conchas prateadas.

Nasce o Novo Mundo.
Das pedras brota o leite,
das árvores o pão
e o findo nunca existirá.
Ah! E lá não existe o plástico,
só eu.


LÍGIA SAAVEDRA


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terça-feira, 23 de março de 2010

ATÉ ONDE VAI A MINHA LIBERDADE?









Como olhar para dentro, enxergar erros e defeitos e não tentar corrigi-los? Como saber a hora certa para os pecados redimir? A juventude permite desvios, nos quais sem saber nos embrenhamos, mas que poderiam ser evitados. Quando jovem o ser humano, nem sempre atento à experientes conselhos comete por ignorar, desconhecer ou até mesmo por rebeldia, atos que no pôr-da-vida lhe trarão algum arrependimento. Mas, se ainda há tempo, desculpe-se.

Digo isso porque hoje, meu neto Erick, de dez anos, ao me ver chegar com um CD do Green Day, uma banda de punk rock norte-americana formada em East Bay, Califórnia, no ano de 1989, que adoro e que quando ouço a todo volume, “Basket Case”, com uma bateria maravilhosa, me enlouquece a alma e deixa-me com a adrenalina em alta. Pediu-me gentilmente: “Vó, por favor, manera no som que preciso estudar pra prova de Matemática...” Travei, lembrando-me das voltas que o mundo dá.

Década de setenta. Completamente integrada a todas as revoluções do país, do planeta e principalmente as de dentro de casa, vivia atazanando meus pais “caretíssimos” a essa altura da vida. Era um tal de " Paz e Amor",“Abaixo a ditadura”, “Abaixo o soutien”, “Fora FMI”, “Paz para o Vietnã” e em casa, "Abaixo a Repressão", é claro. Comprava tudo de rock, "Pink Floyd", "Yes", "Alice Cooper", queria chocar os velhos. Dos brasileiros os “Novos Baianos”, Morais Moreira e sua turma de libertários maravilhosos, “Os Mutantes”, com sua rebeldia em “Panis et circense” e os “Secos e Molhados”. Putz! Gostava de ver o espanto de minha mãe com a androgenia de Ney Matogrosso e, só para aborrecê-la, quando ouvia “Fala”:

"Eu não sei dizer
Nada por dizer
Então eu escuto
Se você disser
Tudo o que quiser
Então eu escuto
Fala
lá, lá, lá, lá, lá, lá. lá, lá, lá"

Aumentava todo o volume da vitrola, como que dizendo: “É para você, chata.” Eu, apenas uma adolescente insubordinada mas que queria mudar o mundo? Ou uma rebelde sem causa em busca do aval social para tudo que fazia? Não sei. Só sei que hoje, ao ouvir de meu neto a cobrança pelo espaço que lhe cabe, descubro que a conquista dessa tal Liberdade não associada ao respeito nem a ordem, passou do ponto e que terá de ser reavaliada pela minha geração e pelas seguintes em prol das que virão. Talvez nem seja tão tarde, não é?

Em tempo: “Perdoe-me, mãe!” Quanto ao Green Day, a partir de hoje, só o ouvirei, a todo o volume, no walk-man.

segunda-feira, 22 de março de 2010




No dia 27 de março de 1995 o Pará se despedia do maior nome da música paraense e um dos maiores do Brasil, o maestro e compositor Waldemar Henrique, uma perda irreparável para a cultura do Estado. Para lembrar do grande maestro, que mesclou música erudita à popular, o governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado de Cultura (Secult) realiza a programação "Memórias de Waldemar Henrique". Em destaque uma exposição do acervo de Waldemar, além do lançamento de um DVD-ROM comemorativo, com a vida e obra do músico.
Maestro - Waldemar Henrique da Costa Pereira nasceu em Belém, no dia 15 de fevereiro de 1905. Pianista e compositor, estudou no Conservatório Carlos Gomes e piano, composição e regência no Rio de Janeiro. A partir daí utilizou temas amazônicos nas suas composições, mesclando erudito ao popular e se apresentando no Brasil e em vários países, como Portugal e Espanha. Dirigiu o Theatro da Paz, o Departamento de Cultura do Rio de Janeiro e em 1981 foi eleito para a Academia Brasileira de Música. Compôs mais de 120 canções, dentre as quais as famosas "Boi-Bumbá", "Curupira", "Matintaperera", "Tamba-Tajá" e o "Uirapuru". Morreu no dia 27 de março de 1995.
Programação "Memórias de Waldemar Henrique":
27/03- Lançamento do DVD-ROM "Coleção Waldemar Henrique"
Abertura da Exposição "Memórias de Waldemar"
Local: Galeria Fidanza-Museu de Arte Sacra.
Horário: 19h

28/03-Recital de Música Paraense "Para Waldemar Henrique"
Duo Câmera Amazônia- Edelmiro Soares-Tenor
Urubatan Castro-Piano
Coral Vozes da Amazônia - Regência- Maria Antonia Gimenez
Duo Pianístico da UFPA- Eliana Cutrim
Lenora Brito
Duo Carlos Gomes- Dione Colares - Soprano
Ana Maria Adade- Piano
Local: Igreja de Santo Alexandre.
Horário: 19h

29/03- Exibição Especial de Documentário sobre Waldemar Henrique.
Mesa de Debates- Lenora Brito- Sebastião Godinho- Renata Maués
Mediação:Laurenir Peniche
Local: Igreja de Santo Alexandre.
Horário: 19h

Fonte Portal SECULT

POROROCA DE PAZ



A pororoca (do tupi "poro'roka", de "poro'rog", estrondar) é um fenômeno natural produzido pelo encontro das correntes fluviais com as águas oceânicas.

É melhor percebido quando da mudança das fases da Lua, ou seja, desde dois dias antes até três dias após, particularmente nos equinócios em cada hemisfério, e com maior intensidade quando das ocorrências de maré viva (sizígia), nas Lua Cheia e Nova.

O fenômeno das marés, ao elevar o nível das águas oceânicas, faz com que as mesmas invadam a desembocadoura dos rios, podendo formar ondas de até dezenas de metros de largura, com até três a cinco metros de altura, e velocidades de até 10 a 15 milhas por hora (trinta a cinqüenta quilômetros por hora).


O fenômeno manifesta-se, no Brasil, na foz do rio Amazonas e afluentes do litoral paraense e amapaense (rio Araguari, rio Maiacaré, rio Guamá, rio Capim, rio Moju), e na foz do rio Mearim, no Maranhão. Esse choque das águas derruba árvores de grande porte e modifica o leito dos rios.

Outros rios no mundo apresentam, em diferentes escalas, o mesmo fenômeno, com outras designações:

na França, na foz dos rios Gironda, Charante, Sena, é conhecido como mascaret e barre;
na Inglaterra, na foz dos Tamisa, Severn, Trent e no Hughly, com o nome de bore
em Bangladesh, na foz do rio Megma, no delta do Bramaputra, como macaréu;
na China, na foz do Yangtzé, denominado em chinês como trovão e pelos britânicos de cager.
na foz de rios em Bornéu e Sumatra, no Extremo Oriente;
nos Estados Unidos da América, na foz dos rios Colúmbia e Colorado.
Recentemente, no Brasil, o fenômeno tem atraído praticantes do surfe, transformando-se numa atração turística regional amazônica.

E como em mim também se faz pororoca escrevi aqui o que ela me causa.


POROROCA DE PAZ

Se chove muito
e a tarde é cinza,
o que faço com a poesia?
Rio, rio.
Um longo e caudaloso rio
no equinócio.

E minha esperança,
em maré viva
invade seu curso
provocando uma pororoca de emoções.
na desembocadura da razão.

Derrubando os barrancos de tristeza
destruindo as ilhargas da aflição
me levando a surfar na tranqüilidade.

E quem há de dizer que enlouqueci
se na onda gigante de minha alegria
afogo as mágoas?


Lígia saavedra

domingo, 21 de março de 2010

Saavedra, Música, Chibé e Poesia

Saavedra, Música, Chibé e Poesia



Memória da Chuva

No próximo dia 25|03, a partir das 19h, no MHEP - Museu Histórico do Estado do Pará (Cidade Velha), acontecerá o show “Memória da Chuva”, que leva ao elegante Salão Transversal do Museu um encontro de artistas paraenses, em diversas linguagens, que percorrerão os caminhos inversos da chuva, buscando encontrar pelo destino a ancestralidade cultural da Amazônia, registradas em obras e na oralidade de importantes vultos do lugar. O show tem entrada franca.

Por Allan Carvalho

O CHARME DO CHORO


Na foto a apoteose final do "Charme do Choro" com os seus convidados.


Fui assistir ao Grupo "O Charme do Choro" e saí encantada com essas meninas, sim meninas na faixa dos seus 20 anos de idade, mas com talento e performance de gente grande.

Encantadoramente competentes o grupo apresentou um repertório novo, rico e seus convidados Pedrinho Cavalléro, Olivar Barreto, Helio Rubens e Arhur Nogueira cantaram com essa cozinha de talentosas meninas de ouro.

O Charme do Choro é formado por Camila Alves (violão de sete cordas), Laíla Cardoso (violão de seis cordas), Carla Cabral (cavaco base), Janete Carvalho (pandeiro e efeitos) e Jade Moraes (bandolim solo).

Parabenizo a todas pela belíssima apresentação.

HUMILDADE, EIS A QUESTÃO.









HUMILDADE, EIS A QUESTÃO.


Ai de ti!
Ó senhor das letras,
sem o revérbero do sol.

Ai de ti!
Ó douto histrião,
sem o recato do simplismo.

A simpatia
não supera o saber
mas emoldura
o autor e sua obra.
O excesso
de auto-estima
conjuga o Narciso
e provoca
aversão natural.
Sois carne em ossos
como todos,
não te esqueçais
nunca.
Não há desonra
na modéstia
que civiliza
e torna humano
o poeta.

LÍGIA SAAVEDRA

Sobre a obra:

Escrito, com raiva, para o professor mais convencido e durão da Escola. Se achava o maior conhecedor de poesia sempre depreciando e rindo do que escrevíamos.
Colei no quadro de avisos, fui suspensa por três dias e quase fico em Literatura.Rsrsrs!
Mas, ainda hoje se encaixa no perfil de algumas pessoas.

GRUPO CABRUÊRA





Vc já ouviu falar neles?

O grupo Cabruêra está lançando com exclusividade no Overmundo o álbum Visagem, que foi premiado pelo Programa Petrobras Cultural. Originária de Campina Grande na Paraíba, a banda sintetiza as mais diversas influências musicais com muito talento e já conquistou seu público no Brasil e na Europa.

Formada em 1998 por um grupo de estudantes da Universidade Federal da Paraíba, a banda Cabruêra poderia estar fadada ao isolamento na sua cidade do interior, o que acontece com inúmeras bandas Brasil a fora. Como fazer música independente é difícil mesmo nos grandes centros urbanos, muitos grupos não alcançam visibilidade nem o sonhado auto-sustento com a música. Aconteceu diferente com o Cabruêra. Superadas as adversidades, o talento deles alcançou visibilidade não só por aqui, mas lá fora também.

De mansinho, o grupo paraibano conquistou os festivais de música independente aqui no Brasil, o que abriu as portas para os festivais internacionais. Tocaram na Inglaterra, Dinamarca, Itália, República Tcheca, Alemanha, França, Holanda, Bélgica, Suíça e Portugal. Seu segundo álbum, “O samba da minha terra”, chegou a ser lançado em mais de 25 países.

O som do grupo gira principalmente em torno dos ritmos nordestinos, como forró, ciranda, maracatu, do cancioneiro popular da Paraíba, entre outros. E claro, não deixam de lado a influência da diversidade de ritmos que marcou a banda, como o jazz, rap, funk, rock, e por aí vai...

E basta entrar no link abaixo e baixar inteiramente grátis esta maravilha:

http://www.overmundo.com.br/blogs/musica-de-qualidade-pra-download-livre-no-overmundo

Fonte de pesquisa: Overmundo

sábado, 20 de março de 2010

E ELA NEM ERA MULHER, SÓ SE CHAMAVA MARIA




E ELA NEM ERA MULHER, SÓ SE CHAMAVA MARIA.



Nasce protetora da vida, mas é menina; “É Maria!”

Diz o pai arreliado, pois um garoto queria.

E em criança já mostrava o que o futuro lhe daria

Fez-se forte, mas chorava quando o sol, por si, sumia.


E a pergunta que faria à infância, assustada,

Era o que fazer com o sangue que agora nela brotava?

E ela nem era Mulher, só se chamava Maria.


Seios grandes, pernas longas e olfato aguçado.

Puberdade, identidade, namoro, masturbação?

O que fazer dessa vida?

Tudo é tão aborrecido.

“Ninguém me entende, mamãe, que grande chateação!”


E a pergunta que faria à adolescência, assustada,

Era o que fazer com o feto que agora nela crescia?

E ela nem era Mulher, só se chamava Maria.


Outra criança viria para a vida proteger, nascera outra Maria.

Que chorava e não dormia.

Mingau, fraldas, mamadeiras.

Ai, meu Deus! Que agonia!


E a pergunta que faria a si mesmo, assustada,

Era o que fazer pra manter à tão indefesa cria?

E ela nem era Mulher, só se chamava Maria.


Pôs-se então a estudar, trabalhar durante o dia.

Muitas horas de labuta e muitos sonhos desprezados.

Sem parar nem um instante e só um cigarro a acalmava,

Quando a tristeza chovia em seus olhos tão cansados.


E nas preces que fazia para Deus, agradecida,

Do sofrimento passado e da alegria mantida

Daquele abraço da filha que para ela sorria

E ela ainda nem era Mulher, só se chamava Maria.


LÍGIA SAAVEDRA

Sobre a obra
A gravidez na adolescência é um quadro deveras preocupante em nosso país.
As adolescentes grávidas são, em sua maioria, abandonadas pelos companheiros e sofrem demais.

Agora, por ocasião das homenagens ao Dia Internacional da Mulher, reporto-me a este tema como que num grito de socorro à inteligência, ao raciocínio e ao discernimento dessas jovens.
Rimas pobres propositalmente colocadas para um maior entendimento da faixa etária a que o texto se refere.

O cigarro assim como outros estimulantes também faz parte do dia-à-dia da maioria dos adolescentes.

Amigos Para Sempre



AMIGOS PARA SEMPRE

Todos sabemos das pessoas que entram e saem de nossas vidas deixando apenas lembranças, boas ou ruins.
Aqui me reporto a duas importantes e maravilhosas pessoas que estão na minha vida há tempos e que se Deus quiser, ficarão para sempre a meu lado.
Alcyr Guimarães e Pedrinho Cavalléro são para mim a síntese da generosidade, do respeito, do amor e da verdadeira amizade.
Cada um a seu modo e a sua maneira contribuiu para que hoje se fizesse mais feliz o meu presente e, para demonstrar a minha gratidão dedico aos dois esta belíssima poesia de Djavan que conta da "NOBREZA" de uma verdadeira amizade.

Muito obrigada, meus queridos amigos!

NOBREZA - Djavan

Nossa velha amizade nasceu
De uma luz que acendeu
Aos olhos de abril
Com cuidado e espanto eu te olhei
No entanto você sorriu

Concedendo-me a graça de ver
Talhado em você a nobreza de frente
O amor se desnudando
No meio de tanta gente

Um doce descascado pra mim
Eu guardo pro fim
Pra comer demorado
Uma grande amizade é assim
Dois homens apaixonados

E sentir a alegria de ver
A mão do prazer acenando pra gente
O amor crescendo enfim
Como capim pros meus dentes




RELIGIÃO


Hoje eu queria escrever,
mas é sexta.

A orgia me chama
e me leva a pecar.
Pelos bares do mundo
olhando pernas e peitos
pensando em bundas.

Hoje eu queria escrever,
mas é sábado.

A família me chama
e me leva a pecar.
Feijoada, torresmo,
farofa e cerveja,
futebol na TV prá arrematar.

Hoje eu queria escrever,
mas é domingo.

A igreja me chama
e me leva a pecar.
Ressaca, ressentimentos,
resgate, ressurreição,
Aonde começa a oração?


LÍGIA SAAVEDRA (19.03.10)
Para um grande amigo boêmio

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