
ERA UMA VEZ CAROL, um filme de Emanoel Freitas
Um verdadeiro conto da Carochinha moderno. Em linhas gerais, essa é a tônica da trama do curtametragem infanto juvenil "Era Uma Vez Carol...". A misteriosa personagem título decide ir ao teatro para prestigiar uma apresentação da peça "A Cigarra e a Formiga". Como quem precisa cumprir uma secreta missão, ela tenta se aproximar do elenco do espetáculo, mas acaba não conseguindo. Quando parecia prestes a desistir de sua tarefa, algo mágico acontece: as protagonistas da história, a Cigarra e a Formiga (não as atrizes, mas as próprias personagens), atravessam o universo da imaginação e se materializam no palco do teatro. Descobriremos, assim, que os personagens de uma peça ficam morando para sempre nos lugares em que se apresentam. Cansadas deste "destino", a Cigarra e a Formiga pedem que Carol as liberte e as ajude a conhecer a vida real. A menina, no entanto, acabará convencendo as outras duas que os seres fantásticos têm mesmo de morar em ambientes especiais. No final de tudo isso, os pequenos espectadores se emocionarão ao descobrir a verdadeira identidade da protagonista.
Ambientado no secular e fabuloso cenário do Theatro da Paz, em Belém do Pará, o enredo de "Era Uma Vez Carol..." foi todo pintado com o singular propósito de realimentar o interesse das crianças pelo mundo da magia. As histórias da Carochinha, os contos de fada são ainda hoje fonte de aprendizado. Mergulhando em fábulas, como as da Cigarra e da Formiga, a infância entra em contato com ensinamentos que transformarão a própria vida adulta em uma etapa mais bela e preciosa. E as crianças que se esquecem da Carochinha, na verdade se esquecem de ser encantadas.
Num tempo em que os apelos dos jogos eletrônicos e os excessos da TV parecem exercer cada vez mais fascínio sobre as crianças, urge que o universo do audiovisual prove ser ferramenta capaz de contribuir para que a infância não se afaste definitivamente do reino das magias. Quando o cinema se oferece como veículo para valorizar o teatro e a literatura, belos são os enquadramentos feitos pelas lentes da fantasia.

A escolha do poético ambiente do Theatro da Paz tem ainda um objetivo mais amplo: o de levar ao atento olhar das crianças de qualquer lugar em que o curta for exibido a beleza patrimonial da região norte do Brasil. É desde muito cedo que se deve começar a aprender sobre as riquezas históricas e culturais do país em que se vive.
Entrementes, os principais e estratégicos textos, contextos e subtextos de toda essa iniciativa resumem-se justamente no trabalho de semear o lúdico na imaginação dos pequenos espectadores. Urge que infância se refamiliarize com o fabuloso, com a encantaria, com o magicar. Haverá mesmo a vida real e o mundo do faz-de-conta? Seguir os conselhos dos personagens de historinhas infantis ajuda a tornar o mundo melhor? Essas são doces dúvidas sobre as quais devem se debruçar a garotada. Só assim, as crianças aprenderão a melhor assistir, escrever e aplaudir os seus próprios sonhos.

Riquezas como o Theatro da Paz são, acima de tudo, jóias nacionais. Tamanho patrimônio, no entanto, ainda permanece desconhecido do grande público brasileiro. Através do filme "Era Uma Vez Carol...", o que se espera é que toda essa fortuna cultural ganhe maior e merecida visibilidade, especialmente junto às crianças.
Fonte:
Emanoel Freitas por e-mail
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