Ajuruteua

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quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

ANGYE GAONA - POETISA


TECIDO BRANDO

Calma e tino te digo, peito brando.
Não queiras conter toda a água dos mares.
Toma uns litros de ondas bravas,
de espuma fera.
Deixa que se encrespe dentro de ti,
cavalo afrontado,
mas não domes esta água
que o tempo a requer viva
e pulsante.
Respira e prepara-te, peito brando.
Não queiras conter todo o ar dos abismos,
toma só o de tua pequena inspiracão,
o acaricie por instantes,
o susurre como se ao último alento
e o deixa livre ir ali,
aonde tu também querias:
vasto, imenso, indistinto.
Sopra forte o que guardas.
Não recolhas mais lágrimas, peito brando.
E se um menino preso chora, dirás,
e se um homem é torturado, dirás.
Que não é tempo de guardar a ira, te digo.
É momento de forjar e fazer luzir
o fio da navalha.

Angye Gaona


CAMINHO

O caminho entrou pela janela como um ramo que a tormenta afugenta. Chovia.
Agudos nomes caíam gravemente,
lá de cima entoados,
chamados a rodar pelas calçadas.
As casas se tornaram caminhos ou foram atravessadas por eles. A lucidez se apoderou das casas.
Os habitantes buscaram os terraços,
ascenderam e alçaram suas faces com fervor
para o raio que revelou o caminho,
por um instante.

Angye Gaona

Sobre a poetisa:
Angye Gaona é uma mulher criativa e socialmente comprometida, sempre ativa no desenvolvimento da cultura.
Faz parte da comissão organizadora do Festival Internacional de Poesia de Medellín e a qualidade do seu trabalho testemunha o seu sonho, a união entre os povos.
Foi presa por pensar na Colômbia, um país em que o Estado faz com que o pensamento seja um crime.

Assista um vídeo de Angye Gaona:


Fontes:
Eu passarin
You Tube
Meu coração

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