
CAMINHOS DE NÓS
Zeca Tocantins
Nós
é que somos
os nós
e sendo
a dor de ser
vivemos
a difícil tarefa
de existir.
ARCA
Zeca Tocantins
A poesia
não precisa de limites.
Navega nas veias
do poeta
a arca de Noé.
Guardião de todos
os sonhos - ele resiste.
MERCANTILISMO
Zeca Tocantins
A mente humana
navega as amabiciosas
águas do capitalismo.
Procelas de células
banzeiros de bens
e o homem naufraga
humanamente.
MENINA-MOÇA
Zeca Tocantins
Em pétalas
o Sol desnudou-se.
A luz
que a manhã vestindo
abraça menina-moça
à vida-flor
se abrindo.
PÓ
Zeca Tocantins
Forjo do pó
um poema
ágil feito pé de ema
mergulha o ventre do mundo
e sai da boca da gente
despido de hipocrisia
- cristalino.
Poema é pó poesia
versos virando semente.
SONHOS
Zeca Tocantins
Quando criança
pensava ser adulto.
Tanto sonhei
que realizei.
Adulto
tentei ser criança
mas já avia perdido
a capacidade de sonhar.
AUSÊNCIA
Zeca Tocantins
Consumimos
todas as palavras.
Ficaram apenas os gestos
impressos nos objetos da casa.
Escrevendo um poema
de pura ausência.
TRAVESSIA
Zeca Tocantins
Nunca atravessei o mar
Neruda
mas já atravessei o rio
Tocantins.
Ali, quando criança exercitei meus sonhos.
Inventei a guerra
naufraguei navios
disparei torpedos
contra os inimigos
que assustavam
o peixe do meu anzol.
Sobre o autor:
José Bonifácio Cezar Ribeiro – Zeca Tocantins- nasceu em Xambioá (TO) em 14/05/1958. Reside em Imperatriz (MA) desde 1963. Autodidata. È cantor, compositor, poeta e contista. Membro da Academia Imperatrinzense de Letras.
Fontes:
Jornal de Poesia
www.limacoelho.jor.br
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