Ajuruteua

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sexta-feira, 6 de agosto de 2010

MORTAL


MORTAL

As paredes gritam com um alvo silêncio
A cura se fará com... No tempo ditado por Ele
Escuto, mas não creio. Enlouqueço. E pranto.
O que merecerá a dor?
Qual o premio pela minha impudência?
Onde estão meus cabelos?
Foram-se com a fé.

Acreditando em viver e ponto
E baseado no prazer por prazer
Dormi com a harpia e acordei nada.
Roubou-me a cor do sangue
E quando me encontrar a devolverá em pó
Pois dele viemos
E a ele me devolvo.


A ferida na alma não dói. Agoniza.
O temor da Hora adianta a angústia
Penso no Pai a quem nunca busquei. E pranto.
O que merecerá a morte?
De qual vida fui feito que, como Noélio, não escrevi?
Fechem-se as cartas e postem-se as lágrimas
Que há tantas para o amor quantas há para chorar.


LÍGIA SAAVEDRA

Escritos para um querido amigo que espera a cura do mal do século, em casa, no hospital, em casa, no hospital, em casa...

Postado no Overmundo em 26 de outubro de 2007

Meu amigo faleceu 16 dias depois.

2 comentários:

  1. Lígia,

    os amigos se vão... ficam as dores, mas também as lembranças. a própria vida vai nos acalentando e nos tornando mais humanos, eu penso. Belo poema, mesmo cheio de tristeza!

    bj

    Betha

    ResponderExcluir
  2. Eis que sangra o poeta...!

    bj*ingrid*

    ResponderExcluir

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