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sexta-feira, 5 de novembro de 2010

LÍGIA SAAVEDRA - AS FLORES DE PLÁSTICO NÃO MORREM



Nas trevas

Saiba você que para muitos ainda não existo, apenas resisto.
Sou um pensamento à sombra das diversas realidades
Nunca concordei com a maioria
Não torço pelo Flamengo e
só passei fome para fazer parte das estatísticas.

Condenando a falsos viandantes
Que a Hitler sim aplaudiriam
Se ele “holocausteasse” a chaga social
Tiro a máscara da hipocrisia poética
Rebelando-me quando um texto muda minha prosa
E um filho transforma-me a vida,
Mas se morro para te agradar, a quem desagrado?

Nua e sem defesa abro a guarda para que luzes me cheguem
Sejam elas de vácuo ou de átomos.
É luz.
E... Trocando de bem com Deus
O medo da reprimenda desaparece com a claridão
Só isso é real. Mas, e as flores?

Na luz

Flores hão de beijar nossas vidas como Pedro
Pois quando o nascer do sol suas pétalas abrir e o galo cantar
Beija-flores brotarão a nossos pés
Criando assim um limbo-azul
O róseo-celeste desaparecerá
Dando lugar a um marinho-estrelado
E os amantes se beijarão como nunca
No verde-capim dos jardins
Espalhando sêmen e povoando as cidades.
Então, grávidas de árvores brancas
As mulheres irão banhar-se no mar
Rodeadas de cavalos-marinhos
Que as levarão a sonhar
Dentro de enormes conchas prateadas.

Nasce o Novo Mundo
Das pedras brota o leite
Das árvores o pão
E o findo nunca existirá.
Ah! E lá não existe o plástico,
Só eu.

Publicado no Overmundo em 15.09.2007

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