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segunda-feira, 6 de setembro de 2010

VLADIMIR JANKÉLEVITCH




A nível dos costumes, do direito, das penas e do procedimento, um progresso contínuo é perceptível. Os nossos costumes são cada vez mais flexíveis, a nossa justiça cada vez menos bárbara. Tudo aquilo que é quantificável é susceptível de melhoria.

No ano 3000, muitas práticas desumanas terão desaparecido. A mulher já não será utilizada como um brinquedo ou um instrumento de prazer, a pena de morte será abolida há muito tempo em todo lado e até nos questionaremos sobre como a morte legal pôde ter sito inscrita nos códigos; talvez até, os bens tendo-se tornado tão abundantes, já não vamos ter a tentação de os roubar aos nossos semelhantes, o desinteresse será talvez a mais banal e a menos meritória das virtudes.
O interesse próprio ganhará então outras formas: ainda haverá mentirosos, presunçosos e egoístas!
Mas o egoísmo será mais subtil. O super-homem, ao regressar duma viagem as estrelas, estará vaidoso e mesquinho como qualquer um, enganará a esposa, fará sofrer o seu semelhante.

É que a consciência é retorcida, infinitamente; o homem, dotado de consciência, não pode não tomar consciência dos seus poderes clandestinos para enganar, da impunidade que lhe assegura o anonimato e o segredo das suas intenções.



Sobre o autor:

Vladimir Jankélévitch (31 de Agosto de 1903 em Bourges – 6 de Junho de 1985 em Paris) foi um filósofo e musicólogo francês.
[editar]Biografia

Jankélévitch era filho de pais russos que haviam emigrado para a França para fugir do antissemitismo de seu país de origem. Seus pais, Anna Ryss e Samuel Jankélévitch, eram médicos formados em Montpellier. Seu pai foi um dos primeiros tradutores de Sigmund Freud na França, e também traduziu obras de Hegel, Schelling, Croce e Berdyayev.
Em 1922 ele começou a estudar filosofia na École Normale Supérieure em Paris, onde conheceu e teve aulas com Bergson. De 1927 a 1932, foi professor no Institut Français em Praga, onde ele escreveu o seu doutorado sobre Schelling. Ele retornou para a França em 1933, onde ele foi professor na Lycée du Parc em Lyon e muitas outras universidades, incluindo Toulouse e Lille. Na França de Vichy, perde a sua nacionalidade francesa. Em 1941, aliou-se à Resistência Francesa. Após a guerra, em 1951, foi nomeado para a cadeira de Filosofia Moral de Sorbonne, onde lecionou até 1978.
Ali formou várias gerações, com seus temas morais e metafísicos, marcados pelo seu pensamento agnóstico, mas também com seus cursos monográficos, que traduziram-se em ensaios polêmicos, muito ricos em ideias literárias (citava muito, dentre outros, Tolstoi, Andreiev, e Bunin, pois seus pais sempre falaram russo em casa).
Recebeu também o título de doutor honoris causa da Université Libre de Bruxelles em 1965.

Diz, Lígia Saavedra:
Atualíssimo. Este magnífico texto poderia ter sido escrito ontem.

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